Mas no http://www.sete24.com/sete24/?p=7677, de 11 de Janeiro de 2011 se pode ler: "

"Numa nota enviada às redacções, a Junta de Freguesia de Beirã (Marvão), refere que teve conhecimento de que a CP (Comboios de Portugal), tenciona por fim à circulação dos comboios de passageiros do Ramal de Cáceres a partir do dia 1 de Fevereiro, deixando de prestar um serviço público e social a grande parte do Nordeste Alentejano.

O serviço de passageiros no Ramal de Cáceres foi inaugurado no dia 6 de Junho de 1880, passados 131 anos o comboio vai ser retirado, decisão que a Junta de Freguesia de Beirã considera como mais uma perda da história local e acusa a CP de ter apenas “em consideração a vertente económica, esquecendo a vertente social, de um serviço público às populações, promovendo o isolamento, a desertificação e o empobrecimento da região”, lê-se no comunicado.
Em 2010 a CP lançou o Comboio Aventura no Ramal de Cáceres com destino à vila de Marvão em plena comunhão com o Parque Natural da Serra de São Mamede, onde o turismo de natureza constitui uma das vertentes mais procuradas pelos visitantes. esta iniciativa foi acarinhada pela população local, pois o turismo é uma das mais importantes actividades económicas do país, capaz de gerar emprego e desenvolvimento económico. A CP pretende agora terminar com este programa turístico e com os comboios de passageiros.

A Junta de Freguesia de Beirã está confiante que a decisão de retirada dos comboios de passageiros do Ramal de Cáceres não venha a ser concretizada, tendo vindo a sensibilizar a população e entidades para evitarem o encerramento de mais um serviço numa região em que a desertificação é uma realidade cada vez maior."

Entrando no site da referida Junta, a Junta de Freguesia da Beirã, um espaço muito bem conseguido, perfeito, completo, muita diversificado, concretamentamente em http://www.jfbeira.pt/, a referida nos dá um conjunto de fotografias e nos faz um pouco da história da linha da Estação da Beirã que a seguir o blog transcreve:

"Clique para ampliarNo entanto, desde logo se pensou em encurtar a distância por via férrea entre Lisboa e Madrid. Com este propósito, iniciaram-se em 1878 os trabalhos de construção de um novo troço de linha férrea, o qual, separando-se da Linha do Leste em Torre das Vargens, viria a entroncar na rede ferroviária do país vizinho na estação de Arroyo-Malpartida, na província de Cáceres e próximo desta cidade, a qual veio a dar o nome ao novo ramal.
No lado português, a extensão deste ramal é de 72,4 Km. manifestamente exagerada para a distância a vencer. A explicação é fácil, embora anedótica: a empresa construtora era paga ao Km e procurou, tanto quanto possível, aumentar a extensão da linha, com infelizes consequências que ainda hoje se fazem sentir. Com efeito, o traçado principalmente a partir de Vale do Peso, é excessivamente sinuoso e, embora levemente corrigido pontualmente aquando da recente renovação, não permite a realização de velocidades elevadas.
Apesar de tudo isto, a construção processou-se com notável rapidez, se atendermos aos meios da época, pois em 1879 já circulavam comboios de mercadorias. A inauguração oficial, até à estação de Marvão-Beirã efectuou-se em 6 de Junho de 1880, data a partir da qual os comboios de passageiros atingiram também aquela estação. Demorou algo mais a construção do lado espanhol, pois só em 1881 o caminho de ferro chegou a Valência de Alcântara.
A partir de então, este itinerário tem constituído a principal união ferroviária entre Portugal e Espanha.
A estação de Marvão-Beirã foi dotada mais tarde de um belo edifício do estilo chamado português, o qual como os de Vale do Peso e Castelo de Vide, está ornado de painéis de azulejos que ilustram os pontos de interesse do Alto Alentejo e do resto do pais."


O espaço, http://www.bloconiza.org/index.php?option=com_content&view=article&id=375:pela-manutencao-e-melhoramento-dos-comboios-regionais-no-ramal-de-caceres&catid=37:locais&Itemid=53,
disponibiliza em espaço seu o seguinte: 


"O Movimento por Marvão, associa-se a esta iniciativa e apela a todos e todas que nos seus espaços de influência lutem contra o encerramento dos comboios de passageiros no Ramal de Cáceres.


Uma das formas de o fazer pode passar pela assinatura de uma petição pública que podem encontrar no seguinte endereço:


O interior cada vez mais isolado, desertificado, levará Portugal para desequilíbrios inaceitáveis. Não podemos permitir que isso aconteça. As populações do interior merecem as mesmas condições de vida que as do litoral.

MpM
11 de Janeiro de 2011

CRATO: Câmara contra encerramento do Ramal de Cáceres

Na sua primeira reunião de 2011, a Câmara Municipal do Crato, foi aprovado por unanimidade a seguinte posição sobre o anunciado encerramento do Ramal de Cáceres:
Considerandos:
1. A política economicista prosseguida pelo Governo vem agravar as assimetrias existentes no País acentuando o fosso entre o interior e o litoral e votando ao abandono as regiões mais deprimidas do País.
Com o argumento do défice e da poupança a todo o custo o Governo tem vindo a encerrar serviços públicos essenciais à vida das populações – primeiro foram os centros de saúde, os correios, as escolas primárias, os serviços de segurança social, agora chegou a vez dos comboios deixando ainda mais isoladas as vilas e as cidades do interior do País.
2. Para cumprimento dos critérios do PEC aprovados na Assembleia da República pelo PS e pelo PSD e implementados pelo Governo, a administração da empresa pública CP faz tábua rasa da sua missão de “operar em todo o território nacional, oferecendo serviços de transporte público ferroviários como essenciais para o desenvolvimento do País e para a coesão nacional e territorial” e propõe-se deixar 356 quilómetros de linhas sem serviço regional, dos quais 144 quilómetros desaparecem do mapa ferroviário nacional e 212 manterão apenas comboios de mercadorias e serviços de longo curso.
3. Esta decisão que afectará principalmente as regiões onde a oferta ferroviária é mais deficitária prejudicando directamente milhares de passageiros numa estratégia de gestão que, em última análise vem desmantelar a oferta pública de comboios regionais, privilegiando a oferta de longo curso com vista à sua eventual privatização.
Só na região do Alentejo este plano de desmantelamento da oferta regional ferroviária afectará 162 quilómetros de linhas que atravessam os distritos de Beja, Évora, Setúbal, Portalegre e fazem a ligação internacional à Estremadura espanhola.
4. A anunciada desactivação do Ramal de Cáceres, na totalidade dos 65 quilómetros que ligam Marvão a Torre das Vargens, e que integra a estação de Vale do Peso, no concelho do Crato, implica o ainda maior isolamento do distrito de Portalegre e a redução dos seus instrumentos de desenvolvimento, de mobilidade e de emprego.
5. O encerramento do serviço de passageiros no Ramal de Cáceres, na Linha do Alentejo, na Linha de Vendas Novas, na Linha da Beira Baixa, no Ramal da Figueira da Foz, na Linha do Tua, na Linha do Corgo, na Linha de Leixões e no Tâmega, num total de 356 quilómetros de linhas que ficam privados de serviço ferroviário regional, dos quais 194 quilómetros se situam no Alentejo e Ribatejo, significa o profundo desinvestimento do Governo em todo o interior do País e em particular no Alentejo e no distrito de Portalegre, provocando o seu definhamento e o encerramento a prazo de toda uma região.
Com estes fundamentos a Câmara Municipal do Crato deliberou, por unanimidade:
1.
Manifestar-se contra o encerramento das linhas supra identificadas e em especial o Ramal de Cáceres em resultado da anunciada intenção da CP de desmantelar o serviço ferroviário regional, por prejudicar as populações da freguesia de Vale do Peso, do concelho do Crato e de todo o distrito de Portalegre.
2. Solicitar ao Senhor Presidente da República, ao Senhor Primeiro Ministro, ao Senhor Ministro dos Transportes e aos Grupos Parlamentares, a devida intervenção para que seja mantido o funcionamento do Ramal de Cáceres a que as populações da freguesia de Vale do Peso, do concelho do Crato e de todo o distrito de Portalegre têm direito e merecem, garantindo a manutenção dos serviços ferroviários regionais agora postos em causa e promovendo a sua qualificação ao serviço das populações.
3. Tornar pública a presente deliberação.

Crato, 5 de Janeiro de 2011
FONTE: CM Crato"



Mas ontem o blog vos falava meus caros, a de Beja lhe parecia, ao blog, a ligação entre Beja e Lisboa, a coisa e assunto lhe parecia, ficou com a sensação que ia ter uma morte anunciada.
Hoje sem querer, no http://www.alentejopopular.pt/noticias.asp?id=5968 se consta para o vosso conhecimento e para saber o vosso:


"Face à intenção da CP de suprimir a ligação ferroviária Intercidades entre Lisboa e Beja, o Partido Comunista Português apresentou na Assembleia da República uma proposta em defesa da manutenção da ligação Intercidades e da sua qualificação em termos de oferta e também de adequação dos horários às necessidades dos utentes.
Esta proposta foi discutida no Parlamento no dia 12, simultaneamente com a petição entregue em Maio de 2010 e subscrita por 4663 utentes da linha do Alentejo que reclamavam o não encerramento da linha.
«Lamentavelmente, PS, PSD e CDS continuam mais preocupados com os lucros das empresas de transportes do que com os direitos e interesses das populações que dizem representar e inviabilizaram a aprovação da proposta, com os votos contra do PS e a abstenção de PSD e CDS», revela o PCP.
Os comunistas reiteram «a sua firme determinação em lutar pela melhoria das condições de vida de todos os alentejanos, incluindo a melhoria das ligações ferroviárias que devem ser postas ao serviço das necessidades das populações e do desenvolvimento da região».
No projecto de resolução que defende a manutenção do serviço Intercidades Lisboa-Évora e Lisboa-Beja e reclama a sua qualificação em termos de oferta e adequação de horários, os deputados do PCP (incluindo João Ramos, eleito por Beja, e João Oliveira, eleito por Évora) escrevem:
«Depois de em 2006 terem inaugurado com pompa e circunstância a ligação Intercidades Lisboa-Évora, o Governo, a Refer e a CP anunciaram em 2010 o encerramento da linha ferroviária entre Bombel e Évora, com a consequente suspensão do serviço Intercidades Lisboa-Évora e Lisboa-Beja.
Esta decisão foi então justificada pela Refer e pelo Governo com a necessidade de realizar investimentos de requalificação da linha. Apesar de haver a possibilidade de realizar esses investimentos mantendo a circulação dos comboios e a prestação do serviço aos utentes, o Governo e a Refer defenderam que a linha devia ser temporariamente encerrada porque assim a duração das referidas obras poderia ser de 6 meses e não de um ano.
Ao contrário do que Governo e Refer prometeram, afinal as obras vão mesmo durar pelo menos um ano, com todos os prejuízos que daí advêm para os utentes e para as populações.
Para além disto, já então havia uma legítima preocupação relativamente ao que viria a ser o futuro daquelas ligações ferroviárias, tendo o PCP alertado para possibilidade de estar em preparação uma redução de serviços ferroviários.
E não foi só o PCP. Os próprios utentes das ligações ferroviárias entre o Alentejo e Lisboa tinham consciência de que com o encerramento temporário da linha poderia ficar facilitada uma redução das ligações ferroviárias. Por isso foi entregue na Assembleia da República uma petição reclamando o não encerramento da linha e a manutenção da ligação Intercidades entre Lisboa e Évora que recolheu 4433 assinaturas.
Passados oito meses do encerramento da linha e da suspensão da ligação ferroviária, o Governo já confirmou a ultrapassagem do tempo previsto para a realização das obras e surgem agora notícias que dão conta da intenção da CP suprimir o serviço Intercidades, integrando as respectivas ligações no serviço regional, aguardando esta decisão apenas o aval do Governo.
Estas notícias confirmam as preocupações manifestadas pelo PCP e pelos utentes e, a concretizarem-se, traduzir-se-iam num grave prejuízo para as populações do Alentejo e utentes da ligação ferroviária com a capital do País, acarretando ainda significativos prejuízos para uma região já de si muito penalizada pelas profundas assimetrias regionais que se mantêm entre o interior e o litoral do País.
Confirmam ainda de forma muito preocupante que os critérios que norteiam a gestão da CP e a estratégia do Governo são de desmantelamento da empresa e do serviço público e de entrega do sector aos interesses privados, desvalorizando e atacando os direitos de quem trabalha e os interesses dos utentes e do País.
A CP e o Governo parecem estar muito interessados na possibilidade de redução em cerca de 40% dos custos com a exploração da linha que esta redução das ligações ferroviárias permitiria mas não parecem nada preocupados com os prejuízos que daí advêm para os utentes e para o Alentejo».
Perante esta situação, os deputados do PCP propuseram que a Assembleia da República tomasse posição em defesa dos interesses das populações e dos utentes e exigisse do Governo igual comportamento. Nos termos da proposta, o Parlamento devia «recomendar ao Governo que garanta a manutenção do serviço Intercidades Lisboa-Évora e Lisboa-Beja, qualificando-o em termos de oferta e de adequação de horários aos interesses dos utentes e das populações». Infelizmente, os deputados do PS – incluindo Pita Ameixa, eleito por Beja –, apoiados pelos do PSD e PP, chumbaram a proposta."


Vai ser muita interessante, a malta e pessoal da Zona, contemplar o que se vai passar com esta.
Será interessante vir a verificar se esta terá a mesma sorte e morte anunciada e lhe vai seguir o mesmo exemplo que a de Beja e alguém de direito lá na Assembleia da República o destino lhe vai dar o mesmo.
Apetece dizer que Lisboa não gosta mesmo da gente e esta alma alentejana como povo. Nestes tempos que correm está ficando muito apertada a vida destes seres por estas paragens e se está a entrar num deserto. Apetece fugir e ir para Espanha ou Brasil, que não lá Lisboa que não está lá sendo coisa muito boa...


publicado por DELFOS às 07:49