Crato, nos primeiros séculos do Cristianismo foi cidade episcopal, pois no concílio iliberitano cerebrado no ano 300 de Jesus Cristo na cidade de ELvira (Andaluzia), assistiram três bispos lusitanos, sendo um deles Socundino, bispo castraleucense.
Ainda no Crato - segundo nos diz Pinho Leal- existe uma rua chamada Episcopia, ou de Bispeiro, onde se supóe que existiu o paço episcopal.
A 8 de Dezembro de 1231 (reinado de D. Sancho II) era prior da Ordem da Ordem de S. João de Jerusalém, em Portugal, Mem Gonçalves, que então deu foral a esta vila, no ano seguinte, conforme maço 10 dos Livros dos forais, n.º 9. gav. 6, maço 1, n.º 30.
Pelo primeiro ou segundo acontecimento é nítida a compreensão do Láculo no capitel do Pelourinho e nunca a Mitra como se vê em alguns outros pelourinhos.
No ano de 1100, Godofredo de Buillon criou em Jerusálem - conforme Rohhicht, Goschichte dos ersten Kreuzzugs (Innsbruck, 1901) a Ordem Militar de S. João de Jerusalém, mudando pouco depois a sede da Ordem para a ilha de Rhodes e a sua denominação passou para a Ordem de S. João de Rhodes.
Por fim foi transferida para a ilha de Mata e desde então se chamou até aos nossos dias, Ordem Militar de S. João de Malta. Foi esta Ordem introduzida em Portugal no tempo de el-rei D. Afonso Henriques.
Desde o ano de 1350 o Crato principiou a readquerir grande parte da sua grande importância, por ser a sede dos cavaleiros de Malta, os mais priviligiados dxe todos em Portugal.
Por conseguinte, predominava a Cruz de Malta - de prata, em campo púrpura - o que devia figurar na segunda face do Pelourinho.
A 15 de Novembro de 1512, el-rei D. Manuel I concedeu-lhe novo foral - Livro dos Forais Novos do Alentejo, fls. 54, col. 1 - apesar da vila já ter o pomposo título de notável.
A terceira face, portando, devia ter esculpidas as armas do Rei, que era a Esfera Armilar e o Escudo de Portugal.
Portanto, na quarta face, sobressai a Esfera Armilar.
O pelourinho devia ter sido erigido depois de 1662, ano em que um exército castelhano comandado por D. João de Austria, por cerco a esta vila e a destruíu.
A razão por que o capitel termina em forma piramidal, devia ter sido inspirado na arquitectura superior da torre do relógio, muito alta e antiga e também de forma piramidal.
O Blog "gavião no alentejo" termina.
Gostava de citar o mestre e o autor da obra e mas a mágoa lhe fica porque não encontrou o nome do professor que deixou um simples apontamento e o testemunho de um esbanjar o conhecimento e um orgulho num passado o seu e a todos a um seu povo. Não se pode dizer o mesmo em outras terras e uma situação geográfia. Que o conhecimento ainda não é para todos e só uns são os eleitos...
publicado por DELFOS às 10:33