RAMAL DE CÁCERES AO PARTIR DEIXOU CUSTOS

02.02.11


"Se para os habitantes de Vale do Peso (Crato) e Cunheira (Alter do Chão) o encerramento daquela via - que vai da Torre das Vargens até à Beirã, na fronteira com Espanha, numa extensão de 81,5 quilómetros - representa apenas mais alguns quilómetros andados de automóvel, até à estação do Crato ou ao apeadeiro da Mata, já para as pessoas que residem em localidades como Castelo de Vide ou Marvão e até mesmo Alpalhão, no concelho de Nisa, o encerramento da linha às populações locais pressupõe deslocações de algumas dezenas de quilómetros que, ainda por cima, só em casos muito específicos podem ser feitas num autocarro público.

Face aos transtornos causados às populações directamente afectadas, foram várias as organizações locais e também espanholas que decidiram protestar, na segunda-feira, aquando da última viagem da automotora. A associação Portalegre em Transição, que visa estabelecer estratégias locais para fazer face à crise energética, efectuou um estudo em que foram tidos em conta não só os custos do transporte, mas também os níveis de poluição e a duração dos tempos de viagem.

Tendo por base uma viagem entre a Beirã e Santa Apolónia, em Lisboa, o estudo revela que o trajecto feito por comboio demora 3h40 enquanto o efectuado em transporte alternativo é apenas 31 minutos mais rápido.

O tempo que se ganha na viagem tem, no entanto, repercussões na carteira dos utilizadores. É que enquanto o transporte alternativo fica, em média, por 28,20 euros, já o trajecto feito de comboio pode ficar entre os 23 e os 19,50 euros. O estudo, desenvolvido em parceria com uma equipa do Instituto Superior Técnico, refere ainda que os custos ambientais relativos a cada passageiro são de 5,26 euros no comboio, enquanto em transporte alternativo são superiores a 17 euros.

O ramal de Cáceres começou a ser construído em 1878, sendo inaugurado no ano seguinte. O objectivo inicial era facilitar o transporte, até ao porto de Lisboa, dos fosfatos provenientes das minas existentes em Cáceres. Actualmente, segundo a CP, o transporte regional de passageiros no ramal registava uma média diária de quatro utilizadores.Habitantes de algumas freguesias têm, com o fecho da linha, de realizar deslocações de dezenas de quilómetros."

http://economia.publico.pt/Noticia/medida-com-custos-sociais-economicos-e-ambientais_1478216

publicado por DELFOS às 09:25

O COMBOIO MORREU NO RAMAL DE CÁCERES

01.02.11

"A vida pode ser irónica até para os comboios. O comboio desta notícia é conhecido por "Calhandra", por ser velho, feio e desajeitado. A "Calhandra" e os seus antepassados andaram durante 131 anos pelos carris do ramal de Cáceres, a ligar as alentejanas localidades de Torre das Vargens e Beirã, no distrito de Portalegre. A aproximar Portugal de Espanha. Ontem fez a sua derradeira viagem, porque já não era rentável.

A CP diz que a média diária de passageiros se escrevia com um dígito: quatro. No dia do derradeiro suspiro, transportou para cima de uma centena de passageiros na última viagem. Tantos que o revisor não conseguiu cobrar bilhete a muitos dos que quiseram contestar mais um encerramento.

"Para dizer a verdade, esta linha pouca gente transporta e aqueles que aqui viajam são, na maioria, funcionários da CP. Mas também é verdade que isto já está mal e a partir de agora ainda fica pior", diz o chefe da estação de Torre das Vargens, João Luís. A estação é um dos extremos de uma ligação com 72 quilómetros de extensão e que serviu directamente, até ontem, as populações de Torre das Vargens, Cunheira, Vale do Peso (um apeadeiro e uma estação onde se carregava madeiras), Castelo de Vide, Marvão e Beirã. A partir de agora deixa de haver comboios regionais. Passam apenas os de mercadorias e os que ligam a Espanha e não param por aqui.

Fugir rumo ao litoral

"O meu marido não pode conduzir até Lisboa. Não consegue. Foi operado ao coração. Na Beirã não há autocarros e para ir de comboio vai ter de se deslocar uma data de quilómetros [até à Linha do Leste, que passa em Portalegre], lamenta Maria José Teixeira, que passa os seus dias entre a pequena localidade fronteiriça e o Porto, de onde saiu há 30 anos. "Que vou fazer? Vou para o Porto e abandono a minha casa e o gado que estamos aqui a criar, ou fico aqui e deixo ao abandono a casa do Porto?", pergunta ainda uma das últimas passageiras da "Calhandra", indiferente ao ritmo arrastado da automotora que raramente consegue dar os 100 quilómetros de velocidade máxima atestados pelo construtor holandês, em 1953.

Indiferente à velocidade está Jacinta Pereira Calada, natural de Monte da Pedra, Crato. "Os velhos precisam de ir ao médico, a Lisboa ou seja lá aonde for. E agora? Como é que vai ser? Os novos ainda podem ir de carro, mas os velhos? Sabe, o Alentejo está muito pobrezinho e agora ainda vai ficar pior", sentencia a mulher, dando continuidade às palavras de Henrique de Matos, que momentos antes, qual filósofo, dissera, convicto: "Muito ou pouco faz sempre falta e tudo o que for para acabar é sempre mau."

António Marques Ramos, que chegou como militar da Guarda Fiscal, em 1972, ao posto da Torre das Vargens, não se mostra convencido do final anunciado. Diz que não pode ser e há pessoas que não vão deixar que aconteça. Depois, a contragosto, começa a acreditar e é então que começa a relembrar histórias da sua profissão e do ramal de Cáceres. "Uma vez fizemos uma grande apreensão de pirex, as pessoas iam muito a Espanha para trazer coisas de pirex... E só podiam ir com passaporte... A gaja do pirex também devia trazer droga. Nós não podíamos revistar mulheres, por isso quem a revistou foi a minha mulher e a de um colega. Mas ela foi à casa de banho e deitou qualquer coisa pela pia abaixo, que eu bem me lembro de ver a água assim a modos que turva... Era droga", diz.

As histórias da automotora Allan (é esse o seu nome de origem) são muitas. O maquinista da última viagem, Manuel Henriques, diz não concordar com o encerramento do ramal. Que quanto menos trabalho houver, mais hipóteses há de a CP dispensar trabalhadores. Lamenta o "isolamento" da região e fala de alguns acidentes. "Os donos das terras nem sempre têm as cercas arranjadas e as vacas acabam por vir para a via. Já todos atropelaram vacas. É um dia perdido. Tem de vir o transporte alternativo e toda a gente perde o resto do dia."

Culpa dos maus horários

De dias perdidos falam outros passageiros habituais, dizendo que o definhar da ligação começou com a mudança de horários. "Quem tiver de ir ao Entroncamento perde todo o dia, porque os horários não permitem mais. Uma coisa que se podia resolver em duas ou três horas acaba por consumir o dia inteiro, por causa dos horários desadequados que arranjaram para o ramal", diz um dos homens que ontem se despediram da "Calhandra" na Beirã. A essa mesma estação acorreram pessoas ligadas a associações cívicas, políticos do Bloco de Esquerda e os espanhóis da Esquerda Unida. Todos unidos na defesa do ramal de Cáceres. "A Alta Velocidade é para Lisboa e Madrid", diz um dos espanhóis. Rita Calvário, deputada do BE, frisa que as pessoas pagam impostos e que merecem ter serviços de qualidade e não o desprezo de quem governa. O seu colega de bancada Heitor de Sousa fala em futuras batalhas no Parlamento.

Uma pequena mole agita-se na gare contra a derradeira partida da "Calhandra". Quando o atraso já é de 15 minutos, a composição, cheia como nunca, empreende a última viagem. Fica a nostalgia de uma automotora que, segundo a CP, estava agora a consumir cerca de 100 litros de diesel por cada outros tantos quilómetros andados. "Mesmo que seja verdade, a CP não pode apenas pensar no lucro. Tem de ter em conta as responsabilidades cívicas", diz o presidente da Junta de Freguesia da Beirã, António Mimoso."

Terça-feira, Jornal Público, 01/02/2011, José Bento Amaro

publicado por DELFOS às 05:17

O COMBOIO AINDA CONTINUA NO RAMAL

28.01.11
"Na sequência das discussões, quer aqui no blog, quer na lista de discussão, sobre o comboio e a sustentabilidade, resolvi fazer um post que espero que seja mais claro sobre o que defendo nesta matéria.
Para atalhar caminho, deixo já claro que enquanto utilizador acho a gestão da CP (conheço ainda pior a da REFER, e por isso não me pronuncio) razoavelmente incompetente. Mas isso é um pequeno problema quando comparado com o grande problema: a gestão da CP é politicamente dependente de gente ainda mais incompetente.
A discussão tem sido despoletada pelas recentes decisões de fecho de algumas linhas, gerando duas posições pavlovianas: os que defendem o Governo, sempre e em qualquer altura, qualquer que sejam os argumentos necessários; os que defendem a manutenção de linhas de comboio, sempre e em qualquer altura, quaisquer que sejam os argumentos necessários.
Misturar a linha da Lousã (que é uma pura estupidez de decisores que deviam ser julgados por gestão danosa e abuso de dinheiros públicos), com a linha do Tua não tem pés nem cabeça.
No primeiro caso alguém decidiu pegar numa coisa que funcionava (bem, mal, com prejuízo, tudo isso podemos discutir, mas funcionava), desmantelá-la, e depois de desmantelar dizer que afinal se enganou nas contas e já não tem dinheiro para fazer nada do que pensou, portanto fica tudo desmantelado.
No segundo caso há uma linha que passa em sítio nenhum, que ninguém usa e que é o exemplo típico das situações em que o comboio não é a boa solução de mobilidade.
Comecemos pelo princípio: o comboio é um meio de transporte pesado que se justifica quando existem grandes números (de pessoas, de carga ou dos dois) a deslocar de um ponto a outro. Nessas circunstâncias o comboio é útil e bem mais sustentável que o transporte rodoviário. Noutras circunstâncias não é assim. À grande vantagem na capacidade de transporte o comboio alia uma baixíssima flexibilidade. Ao relativamente baixo vaor de investimento, o comboio alia um elevado custo de operação.
Ora sustentabilidade inclui sustentabilidade económica.
Faz por isso sentido perguntar se os recursos de investimento disponiveis na REFER devem ser usados na linha do Tua ou no ramal do Porto de Aveiro. Faz sentido perguntar se os recursos na CP devem ser usados na melhoria da eficiência económica dos suburbanos de Lisboa e Porto ou no ramal de Cáceres.
Sim, eu sei que me falarão do facto dos transportes públicos não terem de dar lucro, sim, eu sei. Mas isso não significa que sejam um poço sem fundo, pelo contrário, implica uma definição ainda mais clara de prioridades. E implica que seja a eficiência das linhas que podem ser economicamente sustentáveis a pagar outras onde pode haver um prejuízo sensato. E implica que o Estado seja claro no que quer dos transportes públicos, o que implica disponibilizar os recursos financeiros necessários à execução da sua política (não os necessários à existência de transportes públicos).
É claro que me fez confusão descer ontem na estação (apeadeiro?) de Paialvo e ver uma estação totalmente renovada, não há muito, e fechada. Parece ser um erro de investimento (e está longe de me parecer o único do género).
Dou de barato que existem milhares de erros desses nas políticas de investimento da REFER e da CP, que passam a vida a mudar de vida (como se demonstra com o processo da Lousã).
Mas o facto de ser possível apontar erros, o facto de ser possível apontar um monte de investimentos alternativos ainda mais estúpidos, como algumas auto-estradas vazias (um post que gostaria de ter escrito) ou coisas que não sei classificar como aquele descampado também conhecido por aeroporto de Beja não invalida que não se faça um esforço para evitar a armadilha de defender o comboio sempre e em toda a parte, defendendo-o para funções que ele nunca poderá desempenhar satisfatoriamente.
Essa é uma bela maneira de o enterrar definitivamente."
publicado por DELFOS às 04:20

O COMBOIO NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA

27.01.11
O Bloco de Esquerda pretende que a Rede Ferroviária Nacional seja modernizada e requalificada em 2011, tendo para o efeito entregue um Projecto de Resolução na Assembleia da República.
O Projecto agora entregue pelo Bloco surje num contexto em que muitas linhas e serviços (Leixões, Setil-Coruche, Beja-Funcheira, Ramal de Cáceres, Tua, Corgo e Tâmega, entre outras) serão encerrados já a partir de 1 de Fevereiro. A par com esta redução de serviços haverá também uma redução de horários e o possível despedimento de 815 trabalhadores como consequência directa.
Para contrariar esta tendência, o Bloco de Esquerda propõe que sejam suspensas todas as medidas visando a redução de serviços, encerramento de linhas ou despedimento de trabalhadores e que sejam desenvolvidos prioritariamente os seguintes projectos:
a) Prosseguimento da modernização da Linha do Norte, nos troços entre Ovar-Gaia e Vale de Santarém-Entroncamento;
b) Início do processo de requalificação e modernização da Linha do Oeste;
c) Reabilitação e electrificação do troço Caíde-Marco da Linha do Douro;
d) Continuação das obras de construção do Sistema de Metro do Mondego;
e) Continuação das obras de requalificação das linhas do Tua, Corgo e Tâmega.

Veja, em anexo, o Projecto de Resolução entregue pelo Bloco.
 in " http://www.beparlamento.net/modernizar-e-requalificar-rede-ferrovi%C3%A1ria-nacional"
publicado por DELFOS às 06:34

FICARÁ REVOLTA NA POBREZA

27.01.11

"Com o fim do comboio regional de passageiros no Ramal de Cáceres, anunciado para daqui a poucos dias, encerra também o melhor capítulo da vida de muita gente. Vou, a título de mero exemplo, cingir-me ao que a mim diz respeito porque nasci a ouvir o silvo agudo e rouco daquelas então velhas máquinas negras fumarentas de grandes rodas e manivelas gigantescas movidas a vapor, que, ao chegarem muitas vezes à estação, enchiam o ar de um nevoeiro quente e húmido que se estendia por toda a parte baixa da aldeia, quando tinham que descarregar o excesso de pressão que acumulavam no percurso.

A minha casa fica num alto sobranceiro à Estação, a qual posso ver das janelas das traseiras ou do quintal, de dia ou de noite, porquanto, os holofotes que iluminam todo o seu perímetro rasgam a escuridão e reflectem a sua poderosa luminosidade por toda a colina, até ao depósito abastecedor de água da povoação, além bem no alto. Mas não só. Toda a minha vida é um mar de boas recordações. Mal sai da estação de Valência de Alcântara no país vizinho, poucos quilómetros percorridos, assoma a via férrea ao alto do Sesmo e logo o potente rugido das máquinas se anuncia ao longe, fazendo-se ouvir no meu quarto, desde que me lembro de ser gente.

Do outro lado da nossa casa, a oriente, onde se situa o quarto que sempre foi dos meus pais, era comum ouvi-los comentar:
- Hum… Vai haver mudança de tempo. Esta noite os comboios ouviam-se logo assim que chegavam à curva da Atalaia!Também a casa dos meus avós maternos se situava junto à passagem de nível da Cavalinha, nas traseiras da Caseta dos Assentadores cujas esposas eram as guardas que tinham por missão fechar e abrir as cancelas para passagem segura das inúmeras composições de mercadorias ou de passageiros que circulavam dia e noite.

Menino de tenra idade, entregava-me a minha mãe algumas vezes ao cuidado do meu avô Zé Lourenço, para ela poder ir com a minha avó Amélia sachar milho, ou outros trabalhos à jorna, próprios das mulheres do campo desse tempo. E lá andava eu todo o dia com ele, por aquelas tapadas de um e do outro lado da linha a ver os comboios passar enquanto o avô guardava as ovelhas, a saltar de pedra em pedra, a ouvir “as meninas a cantar” que ele dizia ser aquele zumbido cacofónico que se percebia ao encostar o ouvido aos postes dos fios telefónicos existentes ao longo da linha férrea.

E depois…

Bem… Depois, a ida a Évora por comboio quando aos 17 anos de idade e por me ter oferecido voluntário para a tropa, fui chamado à inspecção militar ao hoje extinto RI16 na Cidade-museu, numa viagem de várias horas e outros tantos transbordos, o primeiro dos quais na Torre das Vargens para a estação de Portalegre e ali de novo para Estremoz e Évora. Foi uma aventura e tanto. Depois, ao longo de muitas décadas, as confortáveis viagens com o comboio sempre aqui à porta, a levar-me na ida ou a trazer-me na volta. Elvas como recruta, Lisboa como especialista, Estremoz novamente já mobilizado para Angola, Santa Margarida a aguardar embarque para a guerra, e, finalmente, para me devolver à Beirã e à minha gente são e salvo 37 longos meses depois.

Consequência de muitas injustiças de que fui alvo, foi o comboio que me levou em 1975 para a Beira Baixa, via Abrantes, Castelo Branco e Fundão, com destino às Minas da Panasqueira. Aqui tive sempre o mesmo transporte seguro e pronto quase à porta. Para qualquer parte do país e pelo Ramal de Cáceres que sempre dispôs de excelentes acessos para muitos e diversificados destinos, bastando para isso aceder à Torre das Vargens, a Abrantes, ao Entroncamento ou a Lisboa. De manhã à noite, eram várias as opções de escolha nos horários de partida ou de chegada e dias havia que a partir da estação de Castelo de Vide já não havia lugares sentados vagos, pelo que se tinha que viajar de pé nas coxias e corredores das carruagens.

Mais tarde, quando, em função das minhas pretensões de ascender na carreira profissional, uma vez mais durante três longos e consecutivos anos, viajei no comboio para a capital onde frequentei os respectivos cursos de promoção no Alto da Ajuda, rumando depois a São João da Madeira e ao Porto como estagiário, sempre com a excelente comodidade de poder viajar de comboio todas as semanas, para onde quer que necessitava deslocar-me. E como eu, milhares de passageiros de toda esta região. É inacreditável que hoje, passadas pouco mais de duas décadas, isto esteja a acontecer. Suprimir o serviço regional de passageiros no Ramal de Cáceres é, por outras palavras, encerrar este serviço público definitivamente. Não tenhamos ilusões.

Restará, daqui nem diante, o Lusitânia Comboio-Hotel que utilizará este percurso duas vezes ao dia – ou à noite – entre Lisboa e Madrid e vice-versa. Até quando?

Todos nós sabemos. Mal se inaugure o tão badalado TGV, o Lusitânia deixará de ser necessário. E o Ramal de Cáceres encher-se-á de silvas e mato em todo o seu percurso, as suas lindíssimas Estações definharão até cairem e a memória de um povo que esteve ligado a tudo isto durante quase um século e meio, desaparecerá inexoravelmente na bruma do tempo. É verdade que neste momento talvez não seja rentável. Mas porquê? Serão os serviços oferecidos pela CP eficientes? E se, em vez de suprimirem este serviço regional de passageiros para suprimirem eventuais prejuízos, porque não suprimem antes um ou dois lugares na Administração da CP, mais os seus chorudos ordenadões, mais os carros topo de gama com motorista e um nunca mais acabar de mordomias que, isso sim, é o que verdadeiramente causa prejuízos às empresas?

Vendo as coisas por outro prisma ainda, não pagam as populações desta esquecida zona do nosso país os seus impostos como todos os outros? Então, porque têm que os Marvanenses, os Castelovidenses, os Cratenses ou os Nisenses, contribuir com as suas divisas para pagarem auto-estradas que não atravessam os seus concelhos, pontes sobre Tejo, Douro ou Guadiana que pouco ou nada usam, e muitas outras merdas megalómanas que servem só para quem lá vive perto, mas não há a porra de uns míseros euros para manter o catano de uma automotora que sirva nem que seja só a minha vizinha Júlia que tem a sua filha e os seus netos no Entrocamento, é viúva, já entradota na idade e não tem outra forma de se deslocar?
Ou será que...
Os habitantes destes municípios NÃO SÃO PORTUGUESES como aqueles do litoral ou das grandes metrópoles onde se faz tudo e mais alguma coisa nem que para isso os governos tenham que se endividar até aos olhos?

Ou ainda que...
Nós por cá só somos cidadãos como os outros, quando é preciso encher-lhes o cu de votos? "
publicado por DELFOS às 06:16

O ÚLTIMO SUSPIRO DO SENHOR RAMAL DE CÁCERES

27.01.11
"A Associação Portalegre em Transição está a organizar “um grupo para fazer “a última viagem do Comboio Regional no Ramal de Cáceres”, seguida de um jantar/debate sobre a importância deste meio de transporte em especial para a nossa região”.
O percurso de comboio terá partida no dia 31 de Janeiro às 18:50 da Estação da Beirã com chegada às 19:49 à Torre das Vargens onde apanhamos o Regional às 20h04 com destino a Portalegre chegando aí às 20:57. Em Portalegre segue-se depois um jantar/debate no “Restaurante A Estação”.
Os custos serão os bilhetes de comboio e 15 euros para o jantar. “Não estamos a contar fazer reservas para o comboio pois julgamos que vai ter espaço para toda a gente”, adiantam os organizadores da iniciativa.
Trata-se de uma oportunidade histórica de fazer esta viagem e de falarmos sobre a importância do comboio para o desenvolvimento desta região”, refere a Associação em comunicado. Será talvez a ultima vez que um comboio pára nas estações de Castelo de Vide, Vale do Peso e Cunheira!”, refere a Associação em comunicado.
"A Associação Portalegre em Transição agradece a todos os interessados em partivcipar na iniciativa que o confirmem para o mail joaoncardoso@gmail.com “para que possamos confirmar o número de pessoas para o jantar”.
Os organizadores recordam ainda que cada pessoa ou cada grupo deve tratar de “arranjar transporte para a Beirã e depois do jantar desde a estação de Portalegre uma vez que não existem transportes públicos disponíveis. Se alguém conseguir arranjar um transporte gratuito para o grupo comunique-nos que nós trataremos de divulgar pelos inscritos”.
A Associação Portalegre em Transição é um grupo local que se tem interessado por sensibilizar a população para a necessidade de diminuir a nossa dependência dos combustíveis fósseis e fazer face às mudanças climáticas.
Desde que nos apercebemos do eminente encerramento dos comboios regionais no Ramal de Cáceres que temos tentado divulgar a petição do “Grupo de Amigos da Ferrovia Norte Alentejana” (em  http://www.gafna.net) e as “enormes vantagens económicas sociais e ambientais do transporte ferroviário”. © NCV. "
 http://noticiasdecastelodevide.blogspot.com/2011/01/associacao-portalegre-em-transicao-esta.html
publicado por DELFOS às 05:56

MARVÃO: SUPRESSÃO DE COMBOIOS NO RAMAL DE CÁCERES

26.01.11
Num comunicado da edilidade de Marvão se pronuncia ainda "A C.P. – Comboios de Portugal  assume como sua missão, operar em todo o território nacional, oferecendo serviços de transporte público ferroviário essenciais  para o desenvolvimento do país e para a sua coesão social e  territorial. No entanto a partir de 1 de Fevereiro, o serviço de passageiros no Ramal de Cáceres, inaugurado a 06 de Junho de 1880, será reduzido a um comboio internacional se até lá não for alterada a intenção da C.P. – Comboios de Portugal.
Não entendemos as políticas adoptadas pela C.P. – Comboios de Portugal, que tem, apenas, em consideração a vertente económica / rentabilidade numa perspectiva redutora e de curto prazo, esquecendo a vertente social de um serviço público contrariando o isolamento, a desertificação e o empobrecimento da região.
Entendemos, ainda menos, porque inferimos que na sua gestão, a C.P., se desinteressou completamente pelo potencial deste ramal pois só assim se explica a permissividade perante uma degradação continuada da qualidade da oferta no que respeita ao transporte de passageiros no Ramal de Cáceres durante as últimas três décadas, designadamente, horários inadequados, mau atendimento, falta de informação, transbordos, má qualidade das automotoras, dando assim, escandalosamente, todas as oportunidades à concorrência, (transporte rodoviário) para se apoderar de uma clientela conquistada durante quase um Século.
Há cerca de 30 anos, uma viagem de comboio entre Marvão/Beirã e Lisboa levava, em média, quatro horas e vinte minutos, sem qualquer transbordo, hoje essa mesma viagem demora cinco horas, com transbordo e ainda sem a possibilidade de comprar um bilhete directo para Lisboa. Assim, obrigam-se as pessoas a deslocarem-se mais uma vez á bilheteira e a saltitar de comboio para comboio. Quase parece que falamos de um negócio em que a gerência não quer vender os seus produtos.
Acreditamos que uma melhor gestão do transporte associada às potencialidades da vertente turística tornarão possível a sustentabilidade, promovendo uma alternativa real ao transporte rodoviário, pelo que em meu nome e da Câmara Municipal manifestamos o nosso desacordo nesta intenção e solicitamos uma alteração da mesma.
O Presidente da Câmara Municipal de Marvão
Victor Frutuoso
Marvão, 25 de Janeiro de 2011" no espaço http://www.portalalentejano.com/?p=23763.
publicado por DELFOS às 04:31

CONTINUA NA RUA DO BECO DA 24

22.01.11
Nunca a coisa a compreendeu que olhando bem para ela um dia o retrato lhe tirou...


Que a publicidade que vai saindo ou a informação a migalha numa a coisa compreendeu a da Comenda a ficar sempre de fora...


Enfim, o segredo d´abelha só ela o sabe...


Mas que a coisa não está para birras u não o está lá o não o está lá não senhora. Que diga lá que sim senhora. Mas a coisa ainda não mudou...


Olhando dois cartazes.


Num, a do Gavião e a do Belver.
Noutro, a do Gavião e a do Belver e mais a da Margem.
A da Comenda a continuar a ficar de fora...

Semelhança com a realidade é uma pura coincidencia...


Num, o apelo ao Voluntariado e o apoio aos idosos na área do concelho de Gavião!


Noutro, o apelo ao reforço de um Banco de Excedentes e o que não se usa para se dar a quem mais precisa!


É uma iniciativa -- Projectos Caminhos CLDS  - numa parceria e fusão com o concelho do Crato ou a do Crato.


Não foi possível encontrar elementos que suportem a base do referido organismo e a sua missão no espaço...


Qualquer dia é a sopa dos pobres a aparecer...


Embora a da Comenda mesmo que continue a ficar de fora!!!!!!! 

A semelhança com a realidade é uma pura coincidencia....
publicado por DELFOS às 13:52

A ADAPTAÇÃO A UMA MODERNA

21.01.11
Diário da República, 2.ª série — N.º 15 — 21 de Janeiro de 2011  
 
Aprovado pelo Decreto -Lei n.º 380/99, de 22 de Setembro, no prazo de 90 dias úteis. Decorrido o referido prazo de 90 dias úteis, que terminou no pretérito dia 10 de Dezembro de 2010 e em cumprimento e para efeitos do disposto no ponto 13 da Resolução do Conselho de Ministros
n.º 53/2010, de 2 de Agosto, é publicada a listagem dos municípios que procederam à adaptação e a listagem dos municípios que não procederam à adaptação dos seus planos directores municipais ao Plano Regional de Ordenamento do Território do Alentejo e nos quais, opera a suspensão a que se refere o ponto 8 da mesma Resolução, até à publicação da respectiva alteração por adaptação.


Caros.
Meus Caros. Não foi possível lhe dar o seguimento devido. O diário e a fonte só lhe davam o negrito. O blog não sabe o que era o negrito e por isso a coisa a deixou ficar assim. Apenas sabe que alguns não fizeram a respectiva a adaptação.
O blog pensa que eles vão levar assim um puxão de orelhas e uma palmadinha que não sabe onde é o sítio onde ela vai ser dada.
Não são muitos. No máximo são assim uns dez. Não mais. 
A Nisa, sempre. Não sabe se ela, este concelho, uma terra que sabe receber também na maior excelência quem a visita, o blog não sabe se ela fez o trabalhinho já assim algum tempo e dando assim um bigodinho a outras e a outros, ou, meus caros, a dita lhe fez assim uma gazeta e deu um furo. Na observação que o blog faz, não deixa de ser um atraso muita grande a outros e outras, os concelhos deste distrito, a sensação fica da parte quem escreve - pois não tem provas e não conhece - parece que só agora se respondeu a uma chamada.
Não deixa também de ser esta coisa do PDM um documento secreto e só para os eleitos e os eleitores na ignorância a ver uma nora. Enfim meus caros, esta democrática tem muito destas coisas. Depois se diz que é muito transparente o conto do vigário e só acredita quem quer o que também é uma verdade... 

Municípios que procederam à adaptação:

a)Alcácer do Sal; b) Alter do Chão; c) Alvito; d) Arraiolos; e) Arronches; f) Avis; g) Barrancos;) Borba; i) Campo Maior; j) Castelo de Vide; k) Castro Verde; l) Crato; m) Elvas; n) Estremoz; o) Évora; p) Fronteira; q) Gavião; r) Grândola; s) Marvão; t) Monforte; u) Mora; v) Mourão; x) Ourique; z) Ponte de Sor; aa) Portalegre; ab) Portel;) Redondo; ad) Santiago de Cacém; ae) Serpa; af) Sines; ag) Vendas Novas; ah) Viana do Alentejo..."


publicado por DELFOS às 15:29

SOBRE O RAMAL O BLOG AINDA VAI APANHANDO

21.01.11

Mas no http://www.sete24.com/sete24/?p=7677, de 11 de Janeiro de 2011 se pode ler: "

"Numa nota enviada às redacções, a Junta de Freguesia de Beirã (Marvão), refere que teve conhecimento de que a CP (Comboios de Portugal), tenciona por fim à circulação dos comboios de passageiros do Ramal de Cáceres a partir do dia 1 de Fevereiro, deixando de prestar um serviço público e social a grande parte do Nordeste Alentejano.

O serviço de passageiros no Ramal de Cáceres foi inaugurado no dia 6 de Junho de 1880, passados 131 anos o comboio vai ser retirado, decisão que a Junta de Freguesia de Beirã considera como mais uma perda da história local e acusa a CP de ter apenas “em consideração a vertente económica, esquecendo a vertente social, de um serviço público às populações, promovendo o isolamento, a desertificação e o empobrecimento da região”, lê-se no comunicado.
Em 2010 a CP lançou o Comboio Aventura no Ramal de Cáceres com destino à vila de Marvão em plena comunhão com o Parque Natural da Serra de São Mamede, onde o turismo de natureza constitui uma das vertentes mais procuradas pelos visitantes. esta iniciativa foi acarinhada pela população local, pois o turismo é uma das mais importantes actividades económicas do país, capaz de gerar emprego e desenvolvimento económico. A CP pretende agora terminar com este programa turístico e com os comboios de passageiros.

A Junta de Freguesia de Beirã está confiante que a decisão de retirada dos comboios de passageiros do Ramal de Cáceres não venha a ser concretizada, tendo vindo a sensibilizar a população e entidades para evitarem o encerramento de mais um serviço numa região em que a desertificação é uma realidade cada vez maior."

Entrando no site da referida Junta, a Junta de Freguesia da Beirã, um espaço muito bem conseguido, perfeito, completo, muita diversificado, concretamentamente em http://www.jfbeira.pt/, a referida nos dá um conjunto de fotografias e nos faz um pouco da história da linha da Estação da Beirã que a seguir o blog transcreve:

"Clique para ampliarNo entanto, desde logo se pensou em encurtar a distância por via férrea entre Lisboa e Madrid. Com este propósito, iniciaram-se em 1878 os trabalhos de construção de um novo troço de linha férrea, o qual, separando-se da Linha do Leste em Torre das Vargens, viria a entroncar na rede ferroviária do país vizinho na estação de Arroyo-Malpartida, na província de Cáceres e próximo desta cidade, a qual veio a dar o nome ao novo ramal.
No lado português, a extensão deste ramal é de 72,4 Km. manifestamente exagerada para a distância a vencer. A explicação é fácil, embora anedótica: a empresa construtora era paga ao Km e procurou, tanto quanto possível, aumentar a extensão da linha, com infelizes consequências que ainda hoje se fazem sentir. Com efeito, o traçado principalmente a partir de Vale do Peso, é excessivamente sinuoso e, embora levemente corrigido pontualmente aquando da recente renovação, não permite a realização de velocidades elevadas.
Apesar de tudo isto, a construção processou-se com notável rapidez, se atendermos aos meios da época, pois em 1879 já circulavam comboios de mercadorias. A inauguração oficial, até à estação de Marvão-Beirã efectuou-se em 6 de Junho de 1880, data a partir da qual os comboios de passageiros atingiram também aquela estação. Demorou algo mais a construção do lado espanhol, pois só em 1881 o caminho de ferro chegou a Valência de Alcântara.
A partir de então, este itinerário tem constituído a principal união ferroviária entre Portugal e Espanha.
A estação de Marvão-Beirã foi dotada mais tarde de um belo edifício do estilo chamado português, o qual como os de Vale do Peso e Castelo de Vide, está ornado de painéis de azulejos que ilustram os pontos de interesse do Alto Alentejo e do resto do pais."


O espaço, http://www.bloconiza.org/index.php?option=com_content&view=article&id=375:pela-manutencao-e-melhoramento-dos-comboios-regionais-no-ramal-de-caceres&catid=37:locais&Itemid=53,
disponibiliza em espaço seu o seguinte: 


"O Movimento por Marvão, associa-se a esta iniciativa e apela a todos e todas que nos seus espaços de influência lutem contra o encerramento dos comboios de passageiros no Ramal de Cáceres.


Uma das formas de o fazer pode passar pela assinatura de uma petição pública que podem encontrar no seguinte endereço:


O interior cada vez mais isolado, desertificado, levará Portugal para desequilíbrios inaceitáveis. Não podemos permitir que isso aconteça. As populações do interior merecem as mesmas condições de vida que as do litoral.

MpM
11 de Janeiro de 2011

CRATO: Câmara contra encerramento do Ramal de Cáceres

Na sua primeira reunião de 2011, a Câmara Municipal do Crato, foi aprovado por unanimidade a seguinte posição sobre o anunciado encerramento do Ramal de Cáceres:
Considerandos:
1. A política economicista prosseguida pelo Governo vem agravar as assimetrias existentes no País acentuando o fosso entre o interior e o litoral e votando ao abandono as regiões mais deprimidas do País.
Com o argumento do défice e da poupança a todo o custo o Governo tem vindo a encerrar serviços públicos essenciais à vida das populações – primeiro foram os centros de saúde, os correios, as escolas primárias, os serviços de segurança social, agora chegou a vez dos comboios deixando ainda mais isoladas as vilas e as cidades do interior do País.
2. Para cumprimento dos critérios do PEC aprovados na Assembleia da República pelo PS e pelo PSD e implementados pelo Governo, a administração da empresa pública CP faz tábua rasa da sua missão de “operar em todo o território nacional, oferecendo serviços de transporte público ferroviários como essenciais para o desenvolvimento do País e para a coesão nacional e territorial” e propõe-se deixar 356 quilómetros de linhas sem serviço regional, dos quais 144 quilómetros desaparecem do mapa ferroviário nacional e 212 manterão apenas comboios de mercadorias e serviços de longo curso.
3. Esta decisão que afectará principalmente as regiões onde a oferta ferroviária é mais deficitária prejudicando directamente milhares de passageiros numa estratégia de gestão que, em última análise vem desmantelar a oferta pública de comboios regionais, privilegiando a oferta de longo curso com vista à sua eventual privatização.
Só na região do Alentejo este plano de desmantelamento da oferta regional ferroviária afectará 162 quilómetros de linhas que atravessam os distritos de Beja, Évora, Setúbal, Portalegre e fazem a ligação internacional à Estremadura espanhola.
4. A anunciada desactivação do Ramal de Cáceres, na totalidade dos 65 quilómetros que ligam Marvão a Torre das Vargens, e que integra a estação de Vale do Peso, no concelho do Crato, implica o ainda maior isolamento do distrito de Portalegre e a redução dos seus instrumentos de desenvolvimento, de mobilidade e de emprego.
5. O encerramento do serviço de passageiros no Ramal de Cáceres, na Linha do Alentejo, na Linha de Vendas Novas, na Linha da Beira Baixa, no Ramal da Figueira da Foz, na Linha do Tua, na Linha do Corgo, na Linha de Leixões e no Tâmega, num total de 356 quilómetros de linhas que ficam privados de serviço ferroviário regional, dos quais 194 quilómetros se situam no Alentejo e Ribatejo, significa o profundo desinvestimento do Governo em todo o interior do País e em particular no Alentejo e no distrito de Portalegre, provocando o seu definhamento e o encerramento a prazo de toda uma região.
Com estes fundamentos a Câmara Municipal do Crato deliberou, por unanimidade:
1.
Manifestar-se contra o encerramento das linhas supra identificadas e em especial o Ramal de Cáceres em resultado da anunciada intenção da CP de desmantelar o serviço ferroviário regional, por prejudicar as populações da freguesia de Vale do Peso, do concelho do Crato e de todo o distrito de Portalegre.
2. Solicitar ao Senhor Presidente da República, ao Senhor Primeiro Ministro, ao Senhor Ministro dos Transportes e aos Grupos Parlamentares, a devida intervenção para que seja mantido o funcionamento do Ramal de Cáceres a que as populações da freguesia de Vale do Peso, do concelho do Crato e de todo o distrito de Portalegre têm direito e merecem, garantindo a manutenção dos serviços ferroviários regionais agora postos em causa e promovendo a sua qualificação ao serviço das populações.
3. Tornar pública a presente deliberação.

Crato, 5 de Janeiro de 2011
FONTE: CM Crato"



Mas ontem o blog vos falava meus caros, a de Beja lhe parecia, ao blog, a ligação entre Beja e Lisboa, a coisa e assunto lhe parecia, ficou com a sensação que ia ter uma morte anunciada.
Hoje sem querer, no http://www.alentejopopular.pt/noticias.asp?id=5968 se consta para o vosso conhecimento e para saber o vosso:


"Face à intenção da CP de suprimir a ligação ferroviária Intercidades entre Lisboa e Beja, o Partido Comunista Português apresentou na Assembleia da República uma proposta em defesa da manutenção da ligação Intercidades e da sua qualificação em termos de oferta e também de adequação dos horários às necessidades dos utentes.
Esta proposta foi discutida no Parlamento no dia 12, simultaneamente com a petição entregue em Maio de 2010 e subscrita por 4663 utentes da linha do Alentejo que reclamavam o não encerramento da linha.
«Lamentavelmente, PS, PSD e CDS continuam mais preocupados com os lucros das empresas de transportes do que com os direitos e interesses das populações que dizem representar e inviabilizaram a aprovação da proposta, com os votos contra do PS e a abstenção de PSD e CDS», revela o PCP.
Os comunistas reiteram «a sua firme determinação em lutar pela melhoria das condições de vida de todos os alentejanos, incluindo a melhoria das ligações ferroviárias que devem ser postas ao serviço das necessidades das populações e do desenvolvimento da região».
No projecto de resolução que defende a manutenção do serviço Intercidades Lisboa-Évora e Lisboa-Beja e reclama a sua qualificação em termos de oferta e adequação de horários, os deputados do PCP (incluindo João Ramos, eleito por Beja, e João Oliveira, eleito por Évora) escrevem:
«Depois de em 2006 terem inaugurado com pompa e circunstância a ligação Intercidades Lisboa-Évora, o Governo, a Refer e a CP anunciaram em 2010 o encerramento da linha ferroviária entre Bombel e Évora, com a consequente suspensão do serviço Intercidades Lisboa-Évora e Lisboa-Beja.
Esta decisão foi então justificada pela Refer e pelo Governo com a necessidade de realizar investimentos de requalificação da linha. Apesar de haver a possibilidade de realizar esses investimentos mantendo a circulação dos comboios e a prestação do serviço aos utentes, o Governo e a Refer defenderam que a linha devia ser temporariamente encerrada porque assim a duração das referidas obras poderia ser de 6 meses e não de um ano.
Ao contrário do que Governo e Refer prometeram, afinal as obras vão mesmo durar pelo menos um ano, com todos os prejuízos que daí advêm para os utentes e para as populações.
Para além disto, já então havia uma legítima preocupação relativamente ao que viria a ser o futuro daquelas ligações ferroviárias, tendo o PCP alertado para possibilidade de estar em preparação uma redução de serviços ferroviários.
E não foi só o PCP. Os próprios utentes das ligações ferroviárias entre o Alentejo e Lisboa tinham consciência de que com o encerramento temporário da linha poderia ficar facilitada uma redução das ligações ferroviárias. Por isso foi entregue na Assembleia da República uma petição reclamando o não encerramento da linha e a manutenção da ligação Intercidades entre Lisboa e Évora que recolheu 4433 assinaturas.
Passados oito meses do encerramento da linha e da suspensão da ligação ferroviária, o Governo já confirmou a ultrapassagem do tempo previsto para a realização das obras e surgem agora notícias que dão conta da intenção da CP suprimir o serviço Intercidades, integrando as respectivas ligações no serviço regional, aguardando esta decisão apenas o aval do Governo.
Estas notícias confirmam as preocupações manifestadas pelo PCP e pelos utentes e, a concretizarem-se, traduzir-se-iam num grave prejuízo para as populações do Alentejo e utentes da ligação ferroviária com a capital do País, acarretando ainda significativos prejuízos para uma região já de si muito penalizada pelas profundas assimetrias regionais que se mantêm entre o interior e o litoral do País.
Confirmam ainda de forma muito preocupante que os critérios que norteiam a gestão da CP e a estratégia do Governo são de desmantelamento da empresa e do serviço público e de entrega do sector aos interesses privados, desvalorizando e atacando os direitos de quem trabalha e os interesses dos utentes e do País.
A CP e o Governo parecem estar muito interessados na possibilidade de redução em cerca de 40% dos custos com a exploração da linha que esta redução das ligações ferroviárias permitiria mas não parecem nada preocupados com os prejuízos que daí advêm para os utentes e para o Alentejo».
Perante esta situação, os deputados do PCP propuseram que a Assembleia da República tomasse posição em defesa dos interesses das populações e dos utentes e exigisse do Governo igual comportamento. Nos termos da proposta, o Parlamento devia «recomendar ao Governo que garanta a manutenção do serviço Intercidades Lisboa-Évora e Lisboa-Beja, qualificando-o em termos de oferta e de adequação de horários aos interesses dos utentes e das populações». Infelizmente, os deputados do PS – incluindo Pita Ameixa, eleito por Beja –, apoiados pelos do PSD e PP, chumbaram a proposta."


Vai ser muita interessante, a malta e pessoal da Zona, contemplar o que se vai passar com esta.
Será interessante vir a verificar se esta terá a mesma sorte e morte anunciada e lhe vai seguir o mesmo exemplo que a de Beja e alguém de direito lá na Assembleia da República o destino lhe vai dar o mesmo.
Apetece dizer que Lisboa não gosta mesmo da gente e esta alma alentejana como povo. Nestes tempos que correm está ficando muito apertada a vida destes seres por estas paragens e se está a entrar num deserto. Apetece fugir e ir para Espanha ou Brasil, que não lá Lisboa que não está lá sendo coisa muito boa...


publicado por DELFOS às 07:49

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