A IRRESPONSABILIDADE DA BANCA EM PORTUGAL

31.01.11

29/1/2010

"Tenho vários créditos que não consigo pagar que rondam os 30.000 euros e tenho também crédito à habitação (…). Tenho um rendimento de 600 euros, a esposa desempregada sem vencimento e dois filhos menores.

Não sei o que fazer. Ontem entrou no meu emprego a primeira penhora de vencimento e estou desesperado".

Quando recebi este texto, enviado por um espectador de "A Cor do Dinheiro", a primeira reacção foi questionar-me sobre o valor da dívida: como é que alguém que ganha 600 euros contraiu créditos (pessoais) de 30 mil euros? Mas depois de falar com um banco percebi que a tragédia é real: os bancos não dispunham, até há pouco, de informação actualizada sobre quanto (e a quem já devia) o cliente que pedia crédito. Houve casos de devedores que pediam dinheiro a A, depois recorriam a B e finalmente a C.

A falta de informação actualizada justifica tudo?

Não.

Os bancos falharam, redondamente, na avaliação de risco: quem ganha 600 euros não pode ter crédito.

Ponto final.

Onde é que tudo isto vai terminar? Num grande sarilho para os bancos. Porque o devedor, insolvente, vai recorrer aos tribunais e qualquer juiz de bom senso atribuir-lhe-á um "mínimo de sobrevivência". E ao fim de cinco anos, se se portar bem, o juiz exonera-lhe o "passivo restante".

É claro que até lá a banca vai fazer de conta (nas suas contas) que vai recuperar o crédito. Na esperança de, nesses cinco anos, provisionar os incobráveis.

Talvez isso explique o nível de alguns spreads e do preçário de alguns serviços bancários.

E ainda há quem conteste que o crédito barato é o pior inimigo da economia…

Fonte: JN in http://www.cantinhodoemprego.com/index.php/uteis/credito/pessoal/1286-a-irresponsabilidade-da-banca.html?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+cantinhodoemprego%2FpYms+%28Cantinho+do+Emprego%29

publicado por DELFOS às 09:08

O VELHO CONTINENTE É UMA ESPINHA

31.01.11

28/1/2011

"À margem de um encontro com representantes da sociedade civil no âmbito da assembleia geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), o dirigente da instituição internacional frisou: "Para estes países (que estão a atravessar uma profunda crise económica), não há escolha. Eles estão verdadeiramente no limite e não há outra maneira de agir que não seja voltar para qualquer coisa que seja viável."

E prosseguiu: "É muito duro para as pessoas. O Governo deve tomar medidas mais graves. É a acumulação de erros cometidos por vários governos durante décadas que está hoje a ser paga pelo homem da rua".

O diretor geral do FMI citou a Grécia, que adotou um programa de rigor financeiro muito exigente para reduzir o seu défice orçamental.

"No caso da Grécia, eles estavam a poucos dias de um afundamento total, na altura em que o país recebeu um plano de ajuda de 110 mil milhões de euros a atribuir em três anos pelo FMI e pelos seus parceiros da Zona Euro", realçou."

Sexta feira, 8 de Outubro de 2010 http://aeiou.expresso.pt/fmi-erros-dos-governos-estao-a-ser-pagos-pelo-homem-da-rua=f607955

 

"No relatório agora apresentado, o FMI também conclui que, na Europa, em 2011 só Portugal e a Grécia não devem crescer.

Para a instituição liderada por Dominique Strauss-Kahn, Portugal, tal como a Espanha e a Grécia, continuam entre os países com "maior potencial

de crescimento do emprego" já que ainda têm um mercado laboral "inflexível" e "limitações" ao ambiente empresarial.

O FMI refere que a falta de reformas nestas área nos países do Sul da Europa é "consistente com a diferença de produtividade" nesta região.

Neste documento, o FMI volta a reforçar os valores de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para Portugal que já tinha anunciado a 06 de setembro no 'World Economic Outlook': 1,1% este ano e estagnação (zero por cento) em 2011.

"O Produto Interno Bruto [da Europa] deve crescer 2,3% em 2010 e 2,2% em 2011. Com a exceção da Grécia e Portugal, o crescimento de todos os países vai ser positivo no próximo ano", afirma o documento.

"Na zona euro o crescimento será de 1,7% em 2010 e 1,5% em 2011, face aos 1,7% da Europa a 27 países tanto este ano como no próximo.

No entanto, nos valores do crescimento de Portugal para o próximo ano ainda não terão sido tidas em conta as medidas de austeridade que fazem parte da proposta do Orçamento do Estado para 2011, apesar de a instituição reconhecer os "ambiciosos esforços de consolidação" de Portugal provocados pela "pressão dos mercados".

A 6 de outubro, Jorg Decressin, diretor adjunto do FMI, disse que a economia portuguesa "deverá sofrer um contração de cerca de 1,4%" se forem incluídas as novas medidas.

Ainda de acordo com o relatório, a inflação de Portugal vai situar-se nos 0,9% em 2010 e 1,2% em 2011, enquanto na zona euro a estimativa é de 1,6 e 1,5%, respetivamente."

Quarta feira, 20 de Outubro de 2010

http://aeiou.expresso.pt/fmi-pede-mais-flexibilizacao-laboral-a-portugal=f610371

 

"No Outono, o banco central tinha previsto uma estagnação da economia este ano. Para esta previsão bem mais negativa contribuem as medidas entretanto anunciadas pelo Governo visando o processo de ajustamento dos desequilíbrios macroeconómicos, através de uma significativa consolidação orçamental, que visa colocar o défice em 4,6% este ano. E mesmo assim esta previsão ainda não inclui as 50 medidas anunciadas pelo executivo em 15 de Dezembro de 2010.

A forte quebra do consumo privado (-2,7%) e do consumo público (-4,6%), acompanhados por uma tendência idêntica em matéria de investimento (-6,8%) são os responsáveis pela previsível quebra da atividade económica, que apenas será compensada pelo expectável bom andamento das exportações (mais 5,9%).

O boletim do Banco de Portugal dá, no entanto, sinais de que é possível que Portugal consiga evitar um pedido de ajuda ao fundo europeu de emergência e ao FMI, ao sublinhar que "a projeção assume que o recurso ao financiamento pelo Eurosistema permanecerá significativo até final do horizonte (2012), num contexto de persistência de dificuldades de acesso dos bancos portugueses aos mercados de financiamento por grosso".

Esse apoio do Eurosistema e do BCE, contudo, tem como condição necessária o ajustamento dos desequilíbrios macroeconómicos, mediante uma consolidação orçamental sustentada, baseada em orçamentos credíveis numa base plurianual vinculativa e de fixação de limites nominais à despesa pública, reformas no mercado de trabalho e aumento dos níveis de concorrência nos mercados de bens e serviços não transacionáveis, através nomeadamente do aumento do poder dos reguladores."

Terça feira, 11 de Janeiro de 2011 http://aeiou.expresso.pt/recessao-de-13-em-2011-preve-o-banco-de-portugal=f625334

 

"O défice da conta corrente (DCC) manteve-se elevado, nos 9,5% do PIB [produto interno bruto] nos 12 meses anteriores a outubro de 2010. Como referido no comentário de 23 de dezembro de 2010 (...) a agência prevê agora uma recessão em 2011 - uma contração de 1% no PIB - que vai começar a reduzir o DCC este ano", diz em comunicado a agência de 'rating', que prevê para 2011 o começo do ajustamento externo português.

O Banco de Portugal anunciou esta semana previsões que apontam para uma contração de 1,3% na economia portuguesa.

A Fitch considera hoje que será "inevitável" um ajustamento "significativo" das finanças públicas portuguesas em 2011 e destaca a importância do momento e da escala deste ajustamento das finanças externas portuguesas.

"Externamente, uma melhoria das condições de mercado e a continuação do apoio oficial permitirá que o ajustamento seja suavizado ao longo do tempo. Os planos de consolidação do Governo vão ter um papel fundamental para restaurar a confiança no país (o que deverá baixar os custos de financiamento) e para reorientar o crescimento económico, afastando-o do consumo [interno] em benefício das exportações", refere a agência de notação financeira.

"A procura externa para os bens e serviços portugueses vai também afetar o ritmo do ajustamento. A Fitch espera que as medidas 'não convencionais' de apoio à liquidez do Banco Central Europeu (BCE) sejam prolongadas enquanto for necessário", acrescenta.

A Fitch prevê, no entanto, "apesar dos riscos" , que o ajustamento da economia portuguesa seja "suavizado" no médio prazo.

"A consolidação governamental deve ajudar os mercados a restaura a confiança ao longo de 2011. A agência também prevê que o BCE (e outros prestamistas oficiais se necessário) continuem a fornecer financiamento externo de último recurso, caso os mercados contraiam mais", frisa a Fitch.

A agência de notação financeira cortou a 23 de dezembro o 'rating' da dívida portuguesa, para A+, com 'outlook' negativo."

 

 

 

 

 

 

"A Standard & Poor's indicou hoje que prevê uma recuperação a três velocidades na Europa ocidental e que Portugal fique preso numa recessão prolongada, juntamente com a Espanha, a Irlanda e a Grécia.

Numa nota hoje divulgada, citada pela Bloomberg, a agência de notação financeira projeta que a Alemanha seja a economia que mais cresça nos próximos anos e que seja o motor do crescimento desta região, juntamente com a Finlândia.

Reino Unido, França, Itália e a região do Benelux (Bélgica, Holanda e Luxemburgo) deverão crescer entre 1,5 e 2%. "

publicado por DELFOS às 08:10

A TORNEIRA ESTÁ FECHADA

30.01.11
"Famílias têm cada vez mais dificuldades em conseguir empréstimos, quer seja para consumo, quer seja para comprar casa
Os bancos estão a fechar cada vez mais a torneira do crédito. Estão mais exigentes na hora de aprovar um empréstimo, seja à habitação ou ao consumo, e não escondem que a tendência é para continuar. Resultado: os spreads têm estado a aumentar e podem subir ainda mais.

De acordo com o inquérito do Banco de Portugal ao sector financeiro, as razões da banca prendem-se com as maiores dificuldades de financiamento que os bancos enfrentam e com a deterioração nas expectativas económicas.
«Na análise dos factores que mais contribuíram para o aumento da restritividade da política de concessão de crédito, tanto a empresas como a particulares, destaca-se a importância dada à deterioração das expectativas quanto à actividade económica em geral. Em segundo lugar, foi reportada a deterioração das condições de financiamento e restrições de balanço, bem como da posição de liquidez dos bancos. A adopção de critérios mais restritivos ter-se-á traduzido, sobretudo, em spreads mais elevados, tanto nos empréstimos de médio como de alto risco e, pontualmente, no aumento da exigência de outras condições contratuais», pode ler-se no relatório.

Os particulares pediram menos crédito aos bancos no último trimestre de 2010. A quebra da confiança dos consumidores (no caso da habitação e consumo), a deterioração das expectativas para o mercado da habitação e a retracção das despesas em bens duradouros (consumo) foram os factores que justificaram a quebra.

Embora o aperto na concessão de crédito por parte dos bancos a particulares tenha sido mais ligeiro, a maior restritividade no crédito à habitação traduziu-se, sobretudo, num aumento dos spreads praticados, tanto nos empréstimos de risco médio como nos empréstimos de risco elevado.

Algumas instituições tornaram-se ainda mais exigentes relativamente ao tipo de garantias que aceitam, e baixaram o rácio entre o valor do empréstimo e o valor da garantia. As maturidades contratadas também sofreram cortes e as comissões e outros encargos não relacionados com a taxa de juro estão também a aumentar.

No início de 2011 o cenário não vai melhorar, antes pelo contrário. No primeiro trimestre, os bancos esperam aumentar ainda mais as restrições e apertar os critérios de aprovação de crédito à habitação. No que se refere à procura, três instituições antecipam uma diminuição ligeira, sendo que as restantes se dividem entre uma diminuição considerável e a ausência de alterações.

Habitação à parte, o crédito destinado ao consumo e outros fins também está mais difícil de conseguir em vários bancos, devido ao aumento dos custos de financiamento e restrições de balanço e pelas expectativas quanto à actividade económica em geral. De salientar ainda, os receios quanto à capacidade dos consumidores assegurarem o serviço da dívida e os riscos associados às garantias exigidas.

Também aqui a maior restritividade se manifestou em spreads mais altos, tanto nos créditos de médio como de elevado risco e, no caso de um banco, em maiores exigências de garantias.

Neste primeiro trimestre de 2011 também o crédito ao consumo e para outros fins vai ficar ainda mais difícil."
http://www.cantinhodoemprego.com/index.php/uteis/credito/habitacao/1300-bancos-assumem-spreads-estao-mais-altos-e-vao-continuar-a-subir.html?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+cantinhodoemprego%2FpYms+%28Cantinho+do+Emprego%29
publicado por DELFOS às 13:53

A TORNEIRA ESTÁ FECHADA

28.01.11
"Famílias têm cada vez mais dificuldades em conseguir empréstimos, quer seja para consumo, quer seja para comprar casa
Os bancos estão a fechar cada vez mais a torneira do crédito. Estão mais exigentes na hora de aprovar um empréstimo, seja à habitação ou ao consumo, e não escondem que a tendência é para continuar. Resultado: os spreads têm estado a aumentar e podem subir ainda mais.

De acordo com o inquérito do Banco de Portugal ao sector financeiro, as razões da banca prendem-se com as maiores dificuldades de financiamento que os bancos enfrentam e com a deterioração nas expectativas económicas.
«Na análise dos factores que mais contribuíram para o aumento da restritividade da política de concessão de crédito, tanto a empresas como a particulares, destaca-se a importância dada à deterioração das expectativas quanto à actividade económica em geral. Em segundo lugar, foi reportada a deterioração das condições de financiamento e restrições de balanço, bem como da posição de liquidez dos bancos. A adopção de critérios mais restritivos ter-se-á traduzido, sobretudo, em spreads mais elevados, tanto nos empréstimos de médio como de alto risco e, pontualmente, no aumento da exigência de outras condições contratuais», pode ler-se no relatório.

Os particulares pediram menos crédito aos bancos no último trimestre de 2010. A quebra da confiança dos consumidores (no caso da habitação e consumo), a deterioração das expectativas para o mercado da habitação e a retracção das despesas em bens duradouros (consumo) foram os factores que justificaram a quebra.

Embora o aperto na concessão de crédito por parte dos bancos a particulares tenha sido mais ligeiro, a maior restritividade no crédito à habitação traduziu-se, sobretudo, num aumento dos spreads praticados, tanto nos empréstimos de risco médio como nos empréstimos de risco elevado.

Algumas instituições tornaram-se ainda mais exigentes relativamente ao tipo de garantias que aceitam, e baixaram o rácio entre o valor do empréstimo e o valor da garantia. As maturidades contratadas também sofreram cortes e as comissões e outros encargos não relacionados com a taxa de juro estão também a aumentar.

No início de 2011 o cenário não vai melhorar, antes pelo contrário. No primeiro trimestre, os bancos esperam aumentar ainda mais as restrições e apertar os critérios de aprovação de crédito à habitação. No que se refere à procura, três instituições antecipam uma diminuição ligeira, sendo que as restantes se dividem entre uma diminuição considerável e a ausência de alterações.

Habitação à parte, o crédito destinado ao consumo e outros fins também está mais difícil de conseguir em vários bancos, devido ao aumento dos custos de financiamento e restrições de balanço e pelas expectativas quanto à actividade económica em geral. De salientar ainda, os receios quanto à capacidade dos consumidores assegurarem o serviço da dívida e os riscos associados às garantias exigidas.

Também aqui a maior restritividade se manifestou em spreads mais altos, tanto nos créditos de médio como de elevado risco e, no caso de um banco, em maiores exigências de garantias.

Neste primeiro trimestre de 2011 também o crédito ao consumo e para outros fins vai ficar ainda mais difícil."
http://www.cantinhodoemprego.com/index.php/uteis/credito/habitacao/1300-bancos-assumem-spreads-estao-mais-altos-e-vao-continuar-a-subir.html?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+cantinhodoemprego%2FpYms+%28Cantinho+do+Emprego%29
publicado por DELFOS às 06:44

A IRRESPONSABILIDADE DA BANCA EM PORTUGAL

26.01.11
"Tenho vários créditos que não consigo pagar que rondam os 30.000 euros e tenho também crédito à habitação (…). Tenho um rendimento de 600 euros, a esposa desempregada sem vencimento e dois filhos menores. Não sei o que fazer. Ontem entrou no meu emprego a primeira penhora de vencimento e estou desesperado".

Quando recebi este texto, enviado por um espectador de "A Cor do Dinheiro", a primeira reacção foi questionar-me sobre o valor da dívida: como é que alguém que ganha 600 euros contraiu créditos (pessoais) de 30 mil euros? Mas depois de falar com um banco percebi que a tragédia é real: os bancos não dispunham, até há pouco, de informação actualizada sobre quanto (e a quem já devia) o cliente que pedia crédito. Houve casos de devedores que pediam dinheiro a A, depois recorriam a B e finalmente a C.
A falta de informação actualizada justifica tudo? Não. Os bancos falharam, redondamente, na avaliação de risco: quem ganha 600 euros não pode ter crédito. Ponto final. Onde é que tudo isto vai terminar? Num grande sarilho para os bancos. Porque o devedor, insolvente, vai recorrer aos tribunais e qualquer juiz de bom senso atribuir-lhe-á um "mínimo de sobrevivência". E ao fim de cinco anos, se se portar bem, o juiz exonera-lhe o "passivo restante". É claro que até lá a banca vai fazer de conta (nas suas contas) que vai recuperar o crédito. Na esperança de, nesses cinco anos, provisionar os incobráveis. Talvez isso explique o nível de alguns spreads e do preçário de alguns serviços bancários. E ainda há quem conteste que o crédito barato é o pior inimigo da economia…
publicado por DELFOS às 10:48

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