O NOVO DIÁRIO DA MENINA ANNE FRANK

07.12.10
 Desemprego


Mais de 229 mil desempregados. Gente sem futuro neste país. Estou lembrando aquela cançao "malta há porta. Que as pessoas pensarão como vai ser delas...mil desempegados não recebem prestações. O número voltou a bater recordes.
Mais de 229 mil desempregados. Gente parada. Gente sem rumo. Não saber o que fazer à vida.O número cada dia que passa... O número de pessoas sem emprego e sem subsídio continua a aumentar. ...

Outubro.
OS DIAS E AQUILO QUE FAZ OS DIAS. É UMA COISA QUE NÂO COSTUMA ANDAR ASSIM O TEMPO.
EM OUTUBRO, APENAS 57,5% DOS DESEMPREGADOS INSCRITOS NOS CENTROS DE EMPREGO - OU SEJA - A JORNALISTA QUE TRANSCREVO - SEJA, MAIS DE 239 MIL PESSOAS - TINHAM ACESSO A UM DOS QUATRO TIPOS DE PRESTAÇÕES DE DESEMPREGO.MAS
EM SETEMBRO, O VALOR DA TAXA DE COBERTURA FICOU ABAIXO DOS 60%, O VALOR BATENDO RECORDES DESDE, PELO MUNOS, 2005. MAS OUTUBRO VOLTA A SUPERAR VALORES.
ASSIM, DOS 550.846 DESEMPREGADOS INSCRITOS NOS CENTROS DE EMPREGO; APENAS 316.695 RECEBIAM PRESTAÇÕES ASSOCIADAS; DE ACORDO COM OS DADOS RECENTEMENTE RECENTEMENTE PUBLICADOS PELA SEGURANÇA SOCIAL.
MAS A TAXA DE COBERTURA AINDA PODERÁ SER INFERIOR (52) SE TIVERMOS EM CONTA TODO O UNIVERSO DESEMPREGADOS APURADOS PELO INSTITUTO NACIONAL DE ESTATÌSTICA - 609,4 MIL NO TERCEIRO TRIMESTRE.

O FIM DAS MEDIDAS ANTI_CRISE EM JULHO AJUDARÃO A EXPLICAR A CONSTANTE QUEDA DO NÙMERO DOS SUBSIDIADOS. ALIÁS, ESTA FOI UMA DAS INDICAÇÕES DADAS PELO MINISTÈRIO DO TRABALHO PARA JUSTIFICAR OS  NÚMEROS DO MÊS ANTERIOR.
RECORDE-SE QUE ENTRE AS MEDIDAS RETIRADAS CONTA-SE A REDUÇÃO EM TRÊS MESES DO PERÍODO DE CONTRIBUIÇÕES NECESSÀRIO PARA ACEDER AO SUBSÌDIO DE DESEMPREGO E O PROLONGAMENTO POR MAIS SEIS MESES DO SUBSÌDIO AO SUBSÌDIO DE DESEMPREGO E O PROLONGAMENTO POR MAIS SEIS MESES DO SUBSÌDIO SOCIAL (ATRIBUÌDO BENEFICIÁRIOS DE FRACOS RENDIMENTOS E INSUFICIENTE CARREIRA CONTRIBUTIVA). (1)

  (1)Cristina Oliveira da Silva   07/12/10 07:48 / http://economico/sapo.pt/noticias/cat/politica_9 

publicado por DELFOS às 09:22

NÃO FOI O DESPESISMO DO ESTADO QUE GEROU ESTA CRISE

07.12.10
Ao contrário da retórica dos economistas que nos endoutrinam depois das 8 da noite, é preciso insistir num ponto essencial: a chamada “crise da dívida soberana” não foi provocada pelo despesismo público. O caso da Grécia é uma excepção que, por si só, não produziria esta crise não fora a existência de uma outra dívida na periferia da UE que esses economistas colocam em segundo plano. De facto, foi a dívida privada que originou esta crise europeia (ver este artigo de Paul De Grauwe), e é a arquitectura institucional da Zona Euro que a agrava.

Claro que os défices públicos também aumentaram na sequência da Grande Recessão, mas esse aumento deveu-se a causas bem conhecidas que não podem ser rotuladas de despesismo: a recessão que fez disparar os estabilizadores automáticos (mais despesa com subsídios sociais e menos receitas fiscais), o gasto público de estímulo à economia nos termos acordados com a Comissão Europeia e (no caso de Portugal, Espanha, e sobretudo Irlanda) o resgate de bancos insolventes. Tivesse havido continuidade na política expansionista iniciada pela UE em 2008 (e, no mínimo, tivesse regulamentado a especulação “a descoberto”), hoje estaria em condições de solucionar os casos da Grécia e da Irlanda com custos sociais suportáveis.

Mas a doutrina monetarista atacou em força em 2009 e levou os decisores políticos, incluindo socialistas e sociais-democratas, a aceitar que com esses défices expansionistas a Europa corria um sério risco de hiperinflação. Com uma capacidade produtiva longe do pleno emprego, o receio era absurdo mas a verdade é que, aos primeiros sinais de retoma do crescimento do PIB, os media deram o palco aos economistas que clamavam pelo fim das medidas de estímulo e pela urgência de medidas de austeridade. Uma doutrina com pressupostos errados (agentes económicos dotados de informação perfeita e racionalidade calculatória infalível, capaz de antecipar e neutralizar os efeitos das políticas económicas num horizonte de muitos anos) só podia levar a decisões erradas. A recessão não só nunca terminou (para mim, os milhões de cidadãos entretanto lançados no desemprego contam para a definição de recessão) como está a agravar-se com a generalização da austeridade. Discretamente, o FMI já o assume (ver aqui, antepenúltimo parágrafo).

A dívida privada que causou esta crise é a consequência da grande disparidade de nível de desenvolvimento que existe entre o centro da UE (liderado pela Alemanha) e a sua periferia (Grécia, Portugal, Espanha, Irlanda, Países Bálticos e Hungria). Com taxas de juro baixas, e com toda a força permitida ao marketing bancário, foi fácil aplicar os excedentes financeiros do “centro” em endividamento do sector privado na “periferia”. A incapacidade para competir num mercado aberto com as importações dos países com salários de subsistência afectou profundamente a indústria da “periferia” e encaminhou os empresários mais ricos para os lucrativos negócios abrigados dessa concorrência (actividade financeira, telecomunicações, grande distribuição, centros comerciais, imobiliário, energia, etc.).

Assim, o endividamento da classe média da “periferia” não foi mais do que uma ilusão de melhoria do nível de vida que foi vendida pela finança europeia com a cumplicidade dos seus governos, do Banco Central Europeu e das suas antenas nacionais. Estas autoridades dispunham de meios para travar este processo, mas não quiseram prejudicar o negócio dos seus amigos da finança. Apesar dos enormes lucros que esta distribuiu aos accionistas, e dos escandalosos bónus que pagou a administradores e directores, os governos, a Comissão Europeia e o BCE continuam a adiar a inevitável reestruturação das dívidas (privadas e públicas) da Grécia e da Irlanda com penalização dos credores. Como também adiam uma inevitável escolha política: (1) avançar para uma governação federal do euro, o que obrigaria a construir uma federação política (“não há impostos sem eleições”) ou … (2) reconfigurar a Zona Euro tornando-a mais reduzida.

Indiferentes à retórica de negação dos dirigentes políticos, os especuladores acabarão por provocar uma qualquer decisão, não necessariamente a melhor como se imagina. O que é imoral é que as classes mais desfavorecidas, e alguns segmentos da classe média, estão a pagar por uma crise que não produziram, nem sequer como titulares de dívidas. (1)
publicado por DELFOS às 03:50

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